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Sete frentes de tratamento, explicadas com clareza — da quimioterapia à medicina nuclear.
A humanidade sempre utilizou substâncias com fins terapêuticos, descritas em diversas culturas milenares. O desenvolvimento do conhecimento químico proporcionou a capacidade de produzir substâncias sintéticas, o que revolucionou a medicina moderna. Durante a Segunda Guerra Mundial, um acidente envolvendo arma química chamou a atenção de pesquisadores pelo efeito no sangue dos feridos — o que levou ao desenvolvimento da primeira quimioterapia de sucesso no tratamento do câncer.
A quimioterapia é um grupo de substâncias químicas com efeito tóxico para a célula cancerígena. Essas drogas atuam lesando o DNA da célula, alterando seu metabolismo ou atrapalhando seu funcionamento normal, levando à sua morte. É administrada principalmente por via venosa, mas alguns quimioterápicos são cápsulas ou comprimidos. Drogas com diferentes mecanismos de ação costumam ser combinadas em protocolos para alcançar o melhor efeito, sem prejudicar tanto o organismo do paciente.
Os efeitos colaterais mais comuns são cansaço, enjoo, queda de cabelo e baixa imunidade — mas dependem de cada organismo, do protocolo e da dose, e são bem manejados pelo Oncologista Clínico. No câncer geniturinário, é comum usar quimioterapia no tratamento do câncer de testículo, de bexiga, de pênis e em alguns casos de próstata.
O câncer surge de uma célula normal e carrega características biológicas dela. A próstata e a mama, por exemplo, são compostas por células dependentes de estímulo hormonal para se desenvolver normalmente. O câncer que surge nelas pode se beneficiar da retirada desse estímulo, inibindo o crescimento e até matando as células. Embora o nome sugira tratamento com hormônios, o que ocorre é o oposto: medicações que inibem a produção de hormônios, bloqueiam sua ação nas células do câncer, ou a retirada cirúrgica dos testículos ou ovários que os produzem.
Pode ser feita com comprimidos contínuos e/ou injeções subcutâneas regulares, com efeitos revertidos, na maior parte dos casos, pela interrupção do tratamento. Os principais efeitos colaterais decorrem da falta do estímulo hormonal: perda de libido, impotência sexual, ressecamento vaginal, perda de massa muscular, alterações no colesterol e ganho de peso.
No câncer geniturinário, a hormonioterapia tem papel fundamental no tratamento do câncer de próstata desde a fase inicial, principalmente nas fases avançadas. Novos agentes hormonais têm melhorado muito a probabilidade de sucesso. A avaliação criteriosa do estilo de vida, comorbidades, sexualidade e expectativas do paciente é feita pelo Oncologista Clínico, buscando o melhor benefício com o menor impacto na qualidade de vida.
A descoberta de que cada célula carrega um código genético que determina nossas características foi uma revolução. Alterações genéticas podem levar à perda de proteínas que protegem contra o câncer, ou à ativação de proteínas que promovem sua proliferação. O conhecimento detalhado dessas proteínas permitiu desenvolver tratamentos específicos para interromper seu efeito — a terapia alvo-dirigida, composta por pequenas moléculas (os TKIs) e anticorpos monoclonais, que atuam sobre processos importantes do desenvolvimento do câncer.
Há mais de dez anos, predominavam apenas quimioterapia ou hormonioterapia como tratamento sistêmico; hoje a terapia alvo-dirigida é opção em indicações específicas para quase todos os tipos de câncer. No câncer geniturinário, é muito utilizada no câncer de rim, com indicações crescentes também no de bexiga.
A imunidade é um dos sistemas mais complexos do organismo, desenvolvida ao longo de milhares de anos para nos proteger de substâncias nocivas. O câncer, apesar de surgir de uma célula normal, produz proteínas reconhecidas como alteradas pelo sistema imunológico — mas muitos cânceres conseguem se "camuflar" dele. A imunoterapia manipula o sistema imunológico para atacar essas células de forma mais eficiente. As novas drogas (anti-PD-1, anti-PD-L1 e anti-CTLA-4) revolucionaram o tratamento do câncer, com dezenas de indicações hoje, usadas isoladamente ou combinadas.
Seus efeitos colaterais estão relacionados ao sistema imunológico, podendo gerar coceira, manchas na pele, diarreia, alterações da tireoide ou inflamação pulmonar. No câncer geniturinário, a imunoterapia é fundamental no câncer de rim, com aumento impressionante na sobrevida dos pacientes. No câncer de bexiga, está cada vez mais indicada, e conta ainda com o BCG intravesical nos casos iniciais.
A Medicina Nuclear usa substâncias radioativas para gerar imagens diagnósticas e tratar doenças, principalmente o câncer. O termo Teranóstico vem do fato de uma mesma substância ser capaz de gerar imagens diagnósticas e também emitir radiação a ponto de matar células do câncer. Embora "radioativo" traga ideia de risco, essas substâncias se ligam predominantemente a moléculas presentes nas células do câncer, causando poucos efeitos nas células sadias.
Em câncer geniturinário, um tratamento teranóstico vem ganhando papel no cuidado do câncer de próstata: o Lutécio-PSMA. O PSMA é uma molécula presente nas células do câncer de próstata, e uma substância com afinidade por ele é ligada ao Lutécio (substância radioativa), levando-o até as células e matando-as sob o efeito da radiação. Os principais efeitos colaterais são cansaço e indisposição.
A cirurgia é a modalidade mais antiga do tratamento do câncer, com grandes evoluções em técnica e resultado. O cirurgião que cuida do câncer geniturinário é o Urologista, em sintonia com o Oncologista Clínico. O desenvolvimento de robôs capazes de visualizar a área cirúrgica em várias dimensões trouxe grandes benefícios — a cirurgia robótica para câncer de próstata tem levado a alta mais precoce, menor necessidade de transfusão e melhor resultado estético da cicatriz, além de crescer também no câncer de rim e de bexiga.
A radioterapia foi historicamente a segunda modalidade de tratamento. Usa equipamentos que geram e direcionam radiação de forma precisa para matar a célula do câncer, com planejamento cuidadoso para não atingir tecidos sadios ao redor. Na tele-radioterapia, o paciente repete o procedimento por alguns dias até atingir a dose calculada; na braquiterapia, agulhas levam "sementes" radioativas para dentro do tumor.
No câncer geniturinário, a radioterapia é opção no câncer de próstata inicial e tem papel importante no cuidado paliativo de doença avançada, além de ser usada em protocolos de câncer de pênis, bexiga e testículo. Os principais efeitos colaterais são cansaço, indisposição, irritação da pele e, raramente, sangramento pelas fezes ou urina.
Cada protocolo é uma decisão personalizada. Vamos conversar sobre o seu diagnóstico e as melhores opções para você.
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