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Por que acredito que tempo, presença e coordenação não deveriam ser um luxo — deveriam ser o padrão.
"Medicina concierge" não é um termo recente inventado para vender exclusividade. Ele tem uma origem concreta: surgiu em 1996, em Seattle, quando os médicos Howard Maron e Scott Hall fundaram a MD², considerada a primeira prática de medicina por retainer (assinatura) dos Estados Unidos. A proposta era simples e, à época, radical: cada médico limitaria seu número de famílias atendidas — inicialmente cerca de 50 — para poder oferecer consultas sem pressa e acesso direto, em vez do modelo de alto volume que dominava (e ainda domina) a medicina convencional.
Em 2000, a fundação da MDVIP, na Flórida, tornou esse modelo mais acessível e ajudou a espalhá-lo pelo país — hoje a rede tem mais de 1.400 médicos afiliados. Por duas décadas, esse crescimento se concentrou principalmente na atenção primária. A aplicação específica à oncologia é um movimento mais recente: veículos como a OncLive, referência em oncologia nos Estados Unidos, vêm discutindo nos últimos anos se e como práticas oncológicas deveriam adotar esse modelo — sinal de que ainda é uma fronteira em construção, não uma tradição estabelecida. É esse território que ajudo a construir no Brasil.
O termo "concierge" carrega, para muita gente, uma ideia de exclusividade — hotel cinco estrelas, atendimento vip. Não é assim que penso nesse modelo, e não é assim que o pratico. Para mim, medicina concierge é, antes de tudo, uma resposta a um problema estrutural da oncologia convencional: o tempo.
Uma consulta oncológica de qualidade raramente cabe em quinze minutos. Envolve entender o histórico completo do paciente, seu contexto de vida, suas dúvidas — muitas vezes não ditas na primeira pergunta. Envolve interpretar exames com calma, explicar um diagnóstico sem pressa, e estar disponível quando uma dúvida surge fora do horário da consulta, porque câncer não segue agenda. O modelo concierge existe para proteger justamente isso: o tempo e a atenção que o cuidado oncológico de verdade exige.
Poucas jornadas médicas exigem tanta coordenação quanto a de um paciente com câncer. Um mesmo caso pode passar por oncologista clínico, cirurgião, radioterapeuta, patologista, nutricionista, psicólogo — e cada decisão de um desses profissionais afeta as opções dos demais. Quando ninguém assume a função de coordenar esse cuidado, o paciente é quem carrega o peso de conectar as peças, muitas vezes no momento mais frágil da sua vida.
A medicina concierge, na prática, é o compromisso de que alguém — o oncologista clínico — assume essa coordenação de ponta a ponta. Não é apenas "estar disponível". É garantir que os exames certos sejam pedidos na hora certa, que a segunda opinião aconteça sem atrito, que o plano de tratamento converse com a vida real do paciente, e que ninguém precise repetir sua história do zero a cada nova consulta.
Nada disso é sobre luxo. É sobre remover do paciente o trabalho de ser o gerente do próprio tratamento, num momento em que ele já está carregando peso suficiente.
Em Belo Horizonte, isso se traduz no meu consultório, no tempo que reservo para cada pessoa. Em Campo Grande, essa filosofia ganhou forma própria no Instituto Tresace — um espaço pensado desde o início para operar assim: prevenção inteligente e cuidado coordenado, sem pressa e sem intermediários entre o paciente e a decisão sobre sua própria saúde.
Não é um modelo para todo mundo, nem pretende substituir a oncologia pública ou convencional — ambas essenciais e admiráveis no que fazem. É uma alternativa, para quem pode e quer um acompanhamento mais próximo, com um médico plenamente presente em cada etapa. Se isso ressoa com o que você está buscando, será um prazer conversar.
Se o que você leu ressoa com o que você busca, será um prazer explicar como funciona na prática, em Belo Horizonte ou Campo Grande.
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